sábado, 30 de abril de 2016

A história produzida num curso de histórias!

 

Eu sou fascinada por histórias, por contar, por ouvir, por algumas vezes me arriscar a criar ... sou fascinada como as histórias tem a capacidade de se deixar degustar, com todos os sabores e coberturas possíveis, como um presente, como uma verdadeira obra de arte que se deixa ser experiementada sem moderação.

Dediquei os meus dois últimos dias das férias a um curso delicioso: "Contar históras, alimentar o humano", lindamente ministrado pela Andi Rubinstein e pela Melanie Guerra, no Instituto de Desenvolvimento Waldorf.

Além de alimentar minha alma com uma história contada pela Andi, uma verdadeira contadora de histórias, daquelas que fazem a gente viajar e o tempo se perder, tive o prazer de recordar, remontar e recontar uma história e memórias próprias e de ouvir, me envolver e me vincular a histórias de outras pessoas mas, que de uma forma ou outra agora também vivem em mim.

E o trabalho foi árduo, difícil mas, igualmente prazeroso. Sem mais delongas, divido com vocês a história que criei.

***************** As pedras & o Caminho *****************
 
 
Era uma vez, uma moça que era bem casada e feliz.
Vivia com seu belo marido e suas duas filhas numa casa replete de árvores, flores e onde o cheiro de pinheiro adentrava pelas portas e janelas o ano inteiro.
 
Quando de repente, na noite mais estrelada do ano, naquela onde se comemora o nascimento do último rei que habitou esse mundo, a notícia da morte súbita da sua mãe lhe assolou com uma tristeza profunda e todo aquele colorido antes por ela vivido, se tornou pesar e lágrimas.
 
A jovem moça tentava levar sua vida, retomando suas atividades, daqui e dali procurava entender tudo que aconteceu.
 
Por que? Se perguntava mas, a resposta não encontrava.
 
Então, decidida, resolveu fazer um antigo caminho, por muitos já caminhado, até mesmo por São Tiago.
 
Foi um ano de preparo...
 
Primeiro dilema ... com quem ficariam as pequenas? A sogra e sua irmã logo se prontificaram! Mas não pensem que foi fácil! A jovem moça gostava de tudo do seu jeito, deixar suas filhas, por vinte longos dias, exigia muito desapego.
 
E o corpo então? Sedento e muito lento, com muito exercício e sacrifício logo foi tomando viço e em poucos meses estava pronto.
 
Seguindo uma tradição muito antiga, cinco pedras do seu jardim escolheu para levar consigo. Cada uma representava algo do seu passado, com cada um dos membros da sua família, que precisava ser perdoado. Dizem que quem leva essas pedras pro caminho e deposita na Cruz de Ferro tem o perdão dos pecados e que tudo de errado, tudo que precisa ser perdoado é nesse momento realizado.
 
Com pedras, mochila, bicicleta, marido e dois amigos ao seu lado, rumaram a França onde o caminho começa.
 
Já no primeiro dia, por destino ou pelo que lhe acredite, uma pedra bem pequenininha lhe atravessou o caminho e ela, que não estava no caminho a caminhar, pelo barranco desceu sem parar. Ó vida, pensou! Que fiz para merecer essa amargura? Será que levantar consigo? Será que uma pedra há de me tirar do caminho?
 
O barranco era cheinho de espinhos que vinham de pés de amoras então, além de espinhada, a moça ficou toda perfumada, com aquele cheirinho de amora que não saia mais de jeito nenhum!
 
Tratou de tirar os espinhos e seguir o caminho ...
 
Pedalou, pedalou, pedalou
Conversou, conversou, conversou
 
Até um furacão, em plena primavera, essa moça pegou em Compostela.
 
Mais uma ladeira ... só mais um pouquinho de força e lá estava a Cruz de Ferro. Quase não se via, de tão pequeninha e por causa da neblina que a encobria naquela manhã fria. Jogou suas pedras e rezou. Pediu de joelhos que qualquer mal que tivesse feito, fosse perdoado e assim desfeito.
 
Nesse dia, dormiu que nem uma pedra, de cansaço e de alívio.
 
Na manhã seguinte, nem podia acreditar quando viu o sol raiar. Não tinha mais chuva nem neblina nem sinal de furacão. E o caminho até Santiago agora era só reta ou descida, riacho e verde. Não tinha mais o peso das suas pedras e as pedras do caminho, conseguia perceber com adianto.
 
Ouvia o som dos passáros e da floresta, o cheiro doce e fresco do orvalho que tocava as plantas...sentia tudo...estava lá hora essa!
 
E assim a Santiago chegou e ao seu próprio caminho retornou.
 
*****************F I M*****************


terça-feira, 29 de setembro de 2015

Uma narrativa do Caminho de Santiago de Compostela e a Época de Micael

Justificativas.
Desculpas.
Negações.
Auto-flagelo.
Otimismo.
Euforia.
Incentivo.

.... Mente .....

No último mês de setembro eu, meu marido e um casal de amigos fizemos o Caminho de Santiago de Compostela, de bicicleta, de Roncesvalles à Santiago, 790km, 13 dias pedalando entre sol, chuva, vento e a mente.

Adversidade constante, seja ela o terreno, a língua, a bagagem, a técnica de pedalar, as assaduras, a comida (se demais ou se de menos), o tempo e eu mesma, por que sim, em muitos momentos a adversidade estava dentro de mim, na minha mente.

Hoje o post não é para falar das belezas incontáveis, das cidades, das inúmeras histórias do Caminho, das pessoas incríveis que conhecemos lá, das comidas maravilhosas, da satisfação que senti em todos os dias, de como me senti acolhida e em casa naquele lugar e de como esta foi a melhor viagem da minha vida!

Hoje quero compartilhar com vocês uma outra faceta do Caminho, que não é de a esporte de aventura. Mas que é de presença.

Enquanto fazia o caminho eu estava presente e todas as vezes que a minha mente devagava algo me fazia voltar, de novo, a atenção para o Caminho. Isso foi o que ensinou o meu primeiro tombo, no primeiro dia, num barranco cheio de espinhos: "esteja aqui, atenta, inteira, presente". E foi o que me ensinou o último tombo, no último dia, quando a Catedral de Santiago estava a pífios 5km de distância: "você ainda não chegou, o caminho ainda não acabou, esteja aqui, esteja atenta, inteira, presente".

Diferente do que eu imaginava, a chegada - nem de perto - foi tão emocionante quanto os dias que passei fazendo o Caminho. Era só um marco, um símbolo do fim. Escrevendo essas linhas me transporto para lá de novo, não para a chegada, mas para alguns flashs do Caminho...um suspiro, um sorriso...que dádiva foi poder, pelo menos nesses 13 dias ter vencido a minha mente em alguns momentos.

Sem justificativas. Sem desculpas. Sem negações. Sem auto-flagelo. Sem passado. Quem eu "fui" não me fez ser melhor ou pior durante o meu caminho.
Sem os exageros do otimismo. Sem as ilusões da euforia e do incentivo. Sem futuro. Quem eu viria a ser não me fez ser melhor ou pior durante o meu caminho.

Eu simplesmente estava lá. Eu tinha fé em mim. Eu tinha fé nas pessoas que estavam comigo. Eu tinha fé no caminho. E, para mim a fé não vem da mente, ela vem do coração. Ela é. Ela está. Presente.

Hoje, nas escolas Waldorf do mundo inteiro é celebrada a Época de Micael. Arcanjo Miguel. Micael é arquétipo da coragem para as crianças do primeiro setênio. A etimologia da palavra coragem vem do Latim Coraticum, ação do coração.

Micael é aquele que nos incentiva a lutar contra nós mesmos, não contra o outro, não contra o mundo, contra a nós mesmos. E foi contra mim que lutei no Caminho. Foi para dentro de mim que o Caminho me levou, um retorno à mim mesma.

Nos últimos anos, na época de Micael, tenho lido e enviado à alguns amigos um verso lindíssimo do Rudolf Steiner, chamado "Forjando a armadura", que fala sobre Micael.

Mas, dessa vez, vou compartilhar o mantra que me embalou, que embuiu de coragem enquanto pedalava quilômetros e quilômetros lá no Caminho e que representa tão bem esta luta da qual Micael é o embaixador.

ASATO MÃ SAD GAMAYA
TAMASO MÃ JYOTIR GAMAYA
MRITYOR MÃ AMRTYUM GAMAYA

OM SHANTIH, SHANTIH, SHANTIH

Tradução livre
DO IRREAL, GUIE-ME AO REAL
DAS TREVAS, GUIE-ME À LUZ
DA MORTE, GUIE-ME À IMORTALIDADE.
OM PAZ, PAZ, PAZ.

*foto de minha, tirada no penúltimo dia de pedal, já na Galícia. Na placa: "O caminho te dá oque precisas. Aproveite-o"

domingo, 21 de junho de 2015

Frio fora...dentro quente - Reflexões sobre a minha participação num teatro infantil

A noite mais longa do ano se aproxima, e dentro de mim a escuridão ficou com medo.

O medo do desconhecido ao qual me impus quando, por impulso próprio, escolhi reviver um conto.

E não é um conto qualquer, é um conto que conta a história de uma menina que teve a sua luz apagada e que lutou, bravamente, para encontrá-la de novo.

Não foi por imposição, e sim por escolha, que pedi para encenar a personagem mais antiga do conto. Ainda não tenho consciência do que, mas algo em mim precisa ser apagado, precisa diminuir para que algo novo nasça, cresça.

O teatro começa, estou em concentração máxima, séria, velha.

Tento observar as crianças que nos assistem e seus olhos e corpos estão em plena sintonia com cada passo, cada fala, cada nota musical ... me impressiono; A velha eu já não consegue ser assim tão entregue, assim tão confiante.

O teatro termina. A festa acaba. Volto para casa ... Se pudesse , queria ir para um lugar solitário, olhar a lua e o céu e chorar. Um choro que nem eu sei do que se trata, mas as meninas estão em fúria, brigam e choram e fazem birra como que projetando e encenando toda a bagunça que se encontra em mim agora.

Tento me acalmar, serenar, pensar.

Que força é essa que me invadiu e que foi capaz de penetrar no recôndito mais profundo da minha alma e que faz cair grossas lágrimas enquanto eu escrevo?

Não, não é só um conto. Não é só uma velha fiandeira, aquela que sabe. Foi uma oportunidade divina que a Providência me mandou para ressoar, lá no fundo...

Que de nada adianta o saber sem o sentir
Que de nada adianta saber e sentir se os meus atos não são coerentes. Recorrentes. Contentes.

Aqui em casa, agora, todos dormem.
Eu, acordada, acesa.

São Paulo, Festa da Lanterna, 20 de Junho de 2015.

quinta-feira, 19 de março de 2015

Livros, Livos e mais livros!

Livros, livros e mais livros. Tem coisa melhor do que cheiro de livro novo? Um dos meus cheiros favoritos, só perde para o cheiro gostoso das pessoas que eu amo, não o cheiro 'perfumado' mas, aquele cheirinho de pessoa quando acaba de acordar. Se eu fechar os olhos e imaginar algumas pessoas - poucas, bem poucas - na minha frente, sou capaz de sentir o cheirinho .... hummm .... opa, voltando: Livros!

Eu sou fã de literatura, por muitas vezes sou monotemática, confesso mas, como desapegar de um gosto literário ou um assunto?! É difícil!

No momento atual estou numa fase de “Esquizofrênia Literária”, rs! E tiro a explicação desta minha afirmação de um dos meus livros de cabeceira do momento: Vocabulário de Psicanálise (Laplanche e Pontalis), Esquizofrenia “... habitualmente as seguintes características: a incoerência do pensamento, da ação e da afetividade”.  Ando interessada em temas tão diversos e incoerentes entre si que – mas, que afetivamente me envolveram, olha! Nada de esquizofrênico aqui, ufa! - que não teria termo mais adequado!

A variedade é tanta que vai desde textos sagrados, como os do Bhagavad Gita, até livros com foco em Coaching e Insight Selling. Ah! Sem esquecer, é claro, dos contos de fada, cozinha infantil, antroposofia, etc, etc, etc.

Algumas semanas, quando estou muito cansada, sofro de o efeito colateral de tanta diversidade, o chamado “efeito cabeção”. Sabe aquela sensação que, se algum assunto novo tiver que entrar na sua cabeça ela vai explodir? Nada como uma boa noite de sono para mandar o cansaço embora e, se acordar com direito a cheirinho de pessoa amada ao lado, melhor ainda!

Compartilho com vocês 7 dos livros que me fazem companhia ultimamente:

- Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud (Especificamente 2 textos nas últimas semanas: Luto e Melancolia e O Ego e o Super Ego) – Sigmund Freud;
- Mulheres que correm com os lobos – Clarissa Pinkola Estés;
- A Eterna Busca do Homem, Vol I – Paramahansa Yogananda;
- Os Contos de Fadas: Sua poesia e interpretação – Rudolf Steiner;
- No coração...A Cozinha: Onde Tudo Começou – Rita Prado Perim com Ilustrações de Hèléne Arthur Delmonte;
- O líder coach - Rhandy di Stefano;
- Insight Selling - Mike Schultz e John E. Doerr.

Deixo vocês com uma frase do romancista francês André Maurios “A leitura de um bom livro é um diálogo incessante: o livro fala e a alma responde.”

E você, o que tem lido? Não valem blogs, posts, mensagens de what’s app ou qualquer outro texto via mídia social – inclusive deste blog aqui! :)

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Uma carta à Vida

No último dia 24 de Dezembro de 2014 a minha Mãe deixou a Terra. Uma dor impossível de traduzir.

Próximo sábado, dia 17, comemoro mais um aniversário, 33 anos, a idade que Jesus, o Cristo, deixou a Terra.

Hoje acordei cansada, depois de uma noite quente e mal dormida. Acordei de mau humor, chateada, com não sei quem, com não sei o quê.

Hoje conversei com algumas pessoas mas, na verdade, eu quero é conversar com a Vida. Resolvi sentar e escrever uma carta à Ela.

Querida Vida,

Eu sei que você é intensa, cheia de altos e baixos e que tem razões que a própria razão desconhece, como diria o filósofo.

Na verdade, não posso reclamar muito de Você...Você tem sido generosa comigo. Me deu exatamente a família que pedi, com todas as qualidades e defeitos que precisava para me tornar a pessoa que sou. Me deu um marido que esta sempre ao meu lado, dando aquele apoio silencioso que poucos sabem dar. Me deu duas filhas lindas, generosas, sensíveis e sorridentes que as vezes até me pergunto se merecia. E o que dizer dos amigos então? Os meus são os melhores do mundo.

Ah Vida, mas nem tudo são flores não é? Esses últimos dias têm sido estranhos ... uma estranheza que as vezes é tristeza, as vezes é saudade, as vezes é risada lembrando das boas e engraçadas recordações, as vezes é oração e outras vezes é silêncio. Não é um silêncio questionador, daqueles cheios de porquês e de "ses", é um silêncio que aperta o peito, é um silêncio vazio. Ele não é longo, logo é quebrado por alguma música cantada pelas meninas, ou pela palavra "mágica" dita por elas mais de 1.000 vezes por dia: Mãeeeeee! E muitas vezes, durantes esses dias, ao ouvir essa palavra, me lembrava que nunca mais terei uma respostas quando eu chamar: Mãe!

Como é difícil lidar com a ausência. Como é difícil responder a tantas perguntas de: Como você esta?

Quero Te dizer como eu estou: eu estou bem, a vida continua! Levanto todos os dias melhor do que eu fui dormir, me alimento bem, sorrio todos os dias, falo com as pessoas, cumpro as minhas obrigações, faço coisas que gosto, hoje até comprei um livro novo, que já começei a ler! Tenho conforto no meu coração, tenho apoio de pessoas que me amam, estou ansiosa para as férias acabarem e retomar meu trabalho. Mas, algo mudou para sempre dentro de mim.

O que é que mudou? Como Você quer que eu te responda?! Pensei que Você iria me responder!! Só sei que algo mudou profundamente, não foi para pior não...tenho certeza que no futuro vou reconhecer todos os benefícios desta mudança mas, só não sei o que foi exatamente.

Eu acho que tenho uma pista...e ela vem de uma brincadeira que faço com as minhas filhas ... as vezes, quando elas estão me chamando muito, e não chamam o pai, eu pergunto: minhas filhas, por que vocês não chamam o seu pai?? Nasceram grudadas comigo foi? E a gente cai na gargalhada por que sim!! A única pessoa a quem nascemos, literalmente, grudadas é com a nossa Mãe.

Acho que essa é a minha estranheza, agora sou eu comigo mesma.

Não quero me estender muito então, pode levar uma mensagem à minha Mãe para mim?

Mãe, Muito Obrigada por tudo! Pelos 32 anos, 11 meses e 7 dias que tive o privilégio de ser sua filha. Por tudo que você me ensinou, proporcionou, brigou, obrigou, lutou e principalmente pelo amor incondicional que você teve por mim, pelos meus irmãos, pelas minhas filhas e pelo meu marido. Você é tão especial, tão generosa que não existe a menor possibilidade de estar em qualquer outro lugar que não seja o melhor lugar do mundo. Lembre-se sempre do que lhe disse a última vez que nos falamos: EU TE AMO!

Bom querida Vida, é isso! Sigamos em frente! Tenho certeza que esse nosso novo ciclo que se iniciará em alguns dias com o meu aniversário será generoso, com saúde plena e com boas colheitas.

Beijos grande,
EU.

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Kuan Yin - Feliz Natal!


Agora que começei a escrever este post pensei ... gente, as pessoas que leem esse blog devem pensar "cada hora a Hellene inventa um assunto" risos... e depois concluí, é verdade, cada hora algo novo me surpreende e detém o meu olhar e a minha atenção, se valer a pena, se casar com as coisas que eu acredito fica, se não, não tem lugar na minha vida ou mesmo pode ser que eu não esteja preparada para absorver aquele assunto/conhecimento naquele determinado momento.

Para vocês entenderem o porquê deste meu post, logo no dia que antecede o Natal, preciso começar do começo. E a minha história com a Kuan Yin começou mais ou menos assim.

Em dezembro de 2010, no meu último post neste blog até que retomasse os meus escritos em 2014, falei sobre Compaixão, onde citei o Buda Avalokiteshvara. Mal sabia eu que este tema voltaria com força total neste ano.

Buda Avalokiteshvara, Chenrezig, Guanyin, Guan Yin, Quann In, Tara e Kuan Yin são representações do mesmo bodisatva e são conhecidos por nomes diferentes em cada um dos países e/ou religiões onde são reverenciados. Principalmente no oriente, com presença muito forte no Tibet, Índia, Japão e China.

O meu objetivo não é me apronfundar muitos nessas diferenciações e teorias sobre a Kuan Yin e sim, contar um pouco de como descobri os encantos de Kuan Yin. Se você quiser saber mais, existe uma página na Wikipedia com um bom conteúdo (aqui).

Pois bem, voltando ...

Este post sobre Compaixão se originou num papel que achei em casa no meio de uma faxina e, quem me deu o jornalzinho que trazia esta matéria foi uma amiga muito querida, a Ana.

4 anos se passaram e, mais ou menos em Abril/Maio deste ano, uma outra pessoa muito querida, a Fernanda, chegou de um almoço dizendo assim (imaginem um sotaque carioca daqueles bem gostosos falando, ok?): 
- Olha que linda essa estátua que eu comprei!
- Uau Fer, linda mesmo! Quem é?
Cara de espanto! - Kuan Yin, você não conheçe? Caraca, finalmente achei uma coisa que você não conheçe! 
(rimos muito!!)

Com essa motivação da Fernanda, começei a ler uma coisa aqui, outra acolá e, tudo que eu lia achava extremamente interessante.

Foi então que o Marcelo Dalla, um astrólogo e design que eu super admiro e acompanho, fez um comentário no Facebook que mencionava um post sobre a Kuan Yin em seu blog (aqui) e, quando li aquilo fiquei maravilhada.

Bom, mais um tantão de dias se passaram e, estava tomando um café da empresa que trabalho com outra amiga muito querida, a Patrícia Pimenta. De repente a Fernanda passa pela gente e digo: 

- Fer no final de semana te mandei um texto lindo sobre a Kuan Yin, você leu?

Quando terminei de falar isso a Pat fala: - Kuan Yin?! De onde você conheçe a Kuan Yin? E então contei para Pat a história da estátua da Fer e das minhas pesquisas posteriores sobre Ela.

E a Pat me contou sobre uma outra Patricia, a Mekler, uma terapeuta holística, que fala muito sobre a Kuan Yin. E um outro tantão de dias se passaram e conheci a Patricia, que me emprestou um livro lindo que fala sobre a experiência de um ocidental, na China e sua conexão com a Kuan Yin (A Deusa da Compaixão e do Amor, John Blofeld - Ed Gnose).

Quando terminei de ler o livro do John eu fiquei....eu fiquei...ah, acho que mexida é a palavra certa. Fiquei impressionada com os mitos, as histórias, as conexões, as curas, as transmutações e, principalmente, com a simplicidade de tudo aquilo.

Depois disso tudo, um dia estava zapeando pela internet, procurando um site americano que vende desenhos da Kuan Yin, quando cliquei numa imagem que apareceu, ela me direcionou a um curso de Magnified Healing, no Brasil, em São Paulo (Oi?!?!?) que aconteceria num final de semana. Eu entendi aquilo como um direcionamento, como um amoroso direcionamento da Kuan Yin à mim, para que eu pudesse conhecer essa linda ferramenta de cura e transformação pessoal.

O curso foi M-A-R-A-V-I-L-H-O-S-O!!!

Me reencontrar com essa força e essa energia da Compaixão, através da Kuan Yin, foi a redescoberta de um amor sensível, de um amor sem julgamento, de um amor que vem ao meu encontro, incondicionalmente. 

Ando tentando me disciplinar cada vez mais na meditação. Medito no mantra consagrado à Compaixão, OM MANI PADME HUM e ontem, quando estava começando minha prática, acabou a luz e, naquele escuro total, com aquela chuva caindo lá fora, senti o coração ficar quentinho e minha alma sendo lavada de amor.

Por que este post próximo do Natal?

Por que o que é o Natal senão a tradução máxima do Amor Divino sobre nós e em nós? 
Jesus é o mestre que trouxe em Si o Amor Puro à terra e eu quis, através dessa singela homenagem à Kuan Yin e ao Amor, emanar minhas mais amorosas e sinceras energias a este momento tão bonito do ano.

OM MANI PADME HUM,
OM,
PAZ,
AMÉM.

Feliz Natal! E um 2015 cheio de Luz!

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

O término de um curso de finanças, uma palestra sobre contos de fada e o início concreto de um sonho - A vida como ela é!

Vocês conseguem imaginar o que essas três situações poderiam ter em comum? Meio esquisito, não é?! 

Vivi estas três situações nesta última semana, que parecem estar isoladas uma da outras mas que no fundo escondem um fio 'secreto' de conexão entre si.

Vamos então por ordem de acontecimentos.

Fiz um curso intenso sobre economia e finanças, sim, números, números, muitos números. Um daqueles cursos que no final do primeiro dia seu cérebro solta nuvens de fumaça e você se pergunta: onde eu fui amarrar o meu burrinho! O professor, um cara brilhante, estrategista, que durante 3 dias tirou todos da zona de conforto, nos fazendo pensar diferente e de forma numéricamente realista. 

Bom, vocês devem estar pensando, Ok .... até aqui não vi nada demais.

Até o professor começar o encerramento, eu achava que aquele excelente professor e curso só tinham me agregado mais conhecimento intelectual/técnico, o qual eu usaria com mais propriedade durante o meu dia-a-dia no trabalho. Ah, como as surpresas que a vida nos trazem são bacanas!

Ele compartilhou 3 dicas que um antigo professor lhe dera quando ele terminou o seu mestrado:

    • Utilize todo conhecimento que você adquirir (só essa "dica" já daria um post inteirinho....);
    • Faça lista de coisas que você quer atingir, fazer, mudar, etc...;
    • Devolva o que lhe foi dado - Guardem essa aqui, esse é o começo do elo (!!!).
Sai do curso, fui pra casa, fiz um outro tantão de coisas e fui para uma palestra na escola das crianças, tema: O significado dos contos tradicionais na atualidade. As crianças estudam numa escola Waldorf e Contos de Fadas são um tema importante no contexto escolar.

A conversa girava entorno dos contos tradicionais alemães que foram coletados pelos Irmãos Grimm e de como o trabalho deles foi imprescindível para manutenção da cultura popular daquele país, explicou a diferença entre os coletores de contos (Grimm, Alexander Afanasyev, Charles Emile Souvestre) e dos escritores de literatura infantil (Perrault e Andersen) entre muitas outras coisas que aprendi naquela noite. Coincidência ou não, como se tudo aquilo que a palestrante já havia falado não fosse suficientemente lindo e interessante, ela guardou o melhor para o final.

Disse o seguinte: "Não temos notícias da nossa vida interior se não pudemos vivenciar os sentimentos que tivemos durante o dia. A vivência dos sentimentos é que suporta as relações.
A voz é o melhor instrumento que temos para estreitarmos vínculos. De onde vem a minha voz quando eu falo?
Fale expressando-se! -> Isso depende da maneira como falamos para a criança e do que se fala para a criança. A voz que acalenta e que depois conta uma história faz com que a criança aprenda a dormir.
Os contos podem ser um antídoto e o fortalecimento do sistema imunológico da criança do que vem de fora.
O "de fora" só se torna vencedor quando o "de dentro" está enfraquecido."
Sim, essas últimas mensagens da palestra se unirão, no final desta história, a última parte desta que começa agora. Afinal de contas, tenho que manter a tendência dos acontecimentos já narrados, nos quais o melhor, sempre ficou para o final! Opa!! Não seria isso aqui um Conto de Fadas também?! Não são eles que sempre tem finais felizes? :)
Festa de aniversário na casa de uma pessoa querida. Ela, não estava muito legal, com uma gripe daquelas que doem o esqueleto toda vez que a pessoa tosse. Festa acabando, partimos todos para uma 'visita guiada' a sua mais recente conquista: uma sala num prédio onde ela irá, em breve, abrir o seu próprio negócio. 
Depois de muitos: UauS! Que legaiS! Parabéns! Que bacanaS! Um champagne estourou, copinhos de plástico foram devidamente enchidos e...tcharan! Veio o discurso!
Pequeno, breve, singelo mas, cheio de agradecimento pelo que lhe foi dado (apoio, encorajamento, entusiasmo com seu sonho e sua nova empreitada) - não seria isso aqui o que o meu professor, PhD em Economia, falou no final do curso: "devolva o que lhe foi dado"?
Sua voz era embargada, trêmula, cheia de sentimento, expressava o que sentia, vinha do fundo! 
O sonho, ali, começava a se tornar realidade porque o de dentro é mais forte e venceu o de fora. Olha o Conto de Fadas aqui. E esse de fora, se a gente parar para pensar pode se traduzir em tantas coisas não é mesmo? A incerteza, a dúvida, o medo, a opinião dos outros e por ai vai...
Ultimamente ando vendo poesia nas pessoas e nas coisas, venho tentando encontrar e reconhecer as conexões que regem a minha vida e que se apresentam para mim para que eu possa apreciá-las. Elas me nutrem, faz com que, a cada dia eu possa ver mais positivos que negativos e que, abastecida com essa positividade eu possa devolver, ao meu marido, as minhas filhas e as pessoas à minha volta mais Contos de Fadas do que filmes de terror.
Agora veio um trechinho da música Epitáfio (Titãs) na minha cabeça: "A cada um sabe a alegria e a dor que traz no coração"!

sexta-feira, 11 de julho de 2014

2 Mulheres, 2 Livros e 1 olhar sobre o Feminino

Todas as vezes que termino de ler um bom livro fico saudosa ... Fico com aquela sensação de "perder" um amigo diário, que me acompanhou por um tempo e que, inevitavelmente, quando se lê a última linha, terá que partir.

O feminino vem sendo um tema recorrente dos meus últimos livros, e que boa safra!

Foram livros densos, tensos, emocionantes, históricos, intensos e, mesmo sendo mulher confesso que nunca pensei o feminino, seus traços, contornos, movimentos, suas luzes, sombras e seus segredos como o pensei ao ler esses dois livros.

O primeiro chama-se "Maria Madalena e o Santo Graal - A mulher do vaso de alabastro" da Margarete Starbird e o segundo, "Joana D'Arc" do Mark Twain.


Duas personagens históricas rodeadas de mitos, mistérios, suposições, perseguições e martírio.

Há aqueles que lerão a frase acima e farão a conexão entre feminino e sofrimento, ou mesmo, feminino e submissão mas, não foi isso o que meus olhos leram e que o meu coração absorveu destas duas lindas obras sobre essas duas incomparáveis mulheres.

O que vivenciei na leitura desses livros foi um feminino forte e suave, firme e amoroso, que vivencia os seus deveres/trabalhos com alegria e unidade, que luta e é pacífico, um feminino que experimentou a dualidade com equilíbrio.

Muitas vezes li frases nestes livros que me fizeram pensar, profundamente, como vivo o feminino em mim. Tive a certeza que o feminino tem muito mais haver com a minha intuição, com o interno, com o sagrado - com o mistério  - que habita em mim, do que qualquer coisa externa.

Ando como uma observadora do feminino em mim, não o feminino externalizado (roupas, cabelo, corpo) e sim do feminino que suave e misteriosamente se manifesta no meu interior, como uma dança circular e ascendente que tanto tem a me ensinar, principalmente sobre o amor próprio, como uma fonte inesgotável e acessível de ternura por mim mesma.

Voltando aos livros.

Meus olhos ficaram rasos de lágrimas nas últimas páginas do livro de Joana e meu coração se encheu de ternura quando voltei meus pensamentos à ela.

Mas, foram as primeiras linhas deste livro que fizeram meu coração bater mais forte e que levaram a tantas reflexões, uma delas a de que Joana - e esta é também uma característica de Maria Madalena -  nunca duvidou de que seu norte, seu condutor e seu conselheiro estavam dentro da própria Joana, por isso conseguia ser tão peculiar no meio de tantos 'iguais', Ah! como isso me serviu! Espero que gostem:

"...O contraste entre ela e o século em que viveu é o contraste entre o dia e a noite. Ela dizia a verdade quando mentir era regra entre os homens; era honesta quando a honestidade era uma virtude perdida; mantinha sua palavra quando as palavras já não tinham mais valor; entregou sua mente a grandes ideias e propósitos enquanto outras grandes mentes deixavam-se desperdiçar com futilidades e ambições mesquinhas; era modesta, refinada e delicada num tempo em que ser vulgar era a regra; era misericordiosa num tempo em que a crueldade não conhecia limites; era firme quando firmeza era virtude desconhecida; suas convicções eram inabaláveis em um tempo em que os homens não acreditavam em coisa alguma e zombavam de tudo; numa era em que a falsidade imperava, ela mostrou-se sempre verdadeira e manteve sua dignidade imaculada quando à sua volta grassavam a bajulação e a subserviência; quando a esperança e a coragem haviam perecido no coração do seu país, ela foi o baluarte de coragem; sua mente e seu coração eram puros quando a sociedade à sua volta era imunda..."

domingo, 15 de junho de 2014

Uma década

Era um vez, um desejo ... um desejo tão forte e intenso que acabou virando realidade da forma mais extraordinária e inesperada possível.
Era uma vez uma menina, que não sabia se ainda era menina ou se já era adulta, no alto dos seus 20 anos, aterrissou em São Paulo pela primeira vez. O lugar era tão grande e tão encantador que a menina ficou embriagada, cheia dele ... não podia imaginar, que aquela sua viagem a trabalho era quase um presságio.
Era uma vez um pedido de casamento, que não foi bem um pedido de casamento, foi algo mais parecido com: vamos ali viver uma coisa nova? Não sabemos o que vai ser, como vai ser ... o estar junto basta.
Preparativos, despedidas, chegamos. Em pleno inverno. Muito frio. Era 2004.
Que cidade é essa que me devora e me alimenta? Um misto de sentimentos como: quero ir embora daqui e daqui não saio nunca mais.
São Paulo se revelava pra mim, a medida que eu me revelava pra ela.
Os primeiros anos foram difíceis, muito desafiadores. A imersão numa nova cultura não é fácil, é um exercício constante de desprendimento para estar aberto a padrões, pessoas, situações, a uma vida diferente da vida 'antiga'.
E ainda hoje é assim, ainda hoje esse exercício se faz presente.
Não é por acaso que pessoas de tantos lugares do Brasil e do mundo estacionam aqui, existe uma generosidade pulsante, um tanto quanto escondida mas que pulsa forte nos lugares e nas pessoas em São Paulo. Acredito que seja a energia do desejo coletivo dos imigrantes em encontrar aqui um novo ponto de partida, fazer daqui o seu referencial.
E não é que São Paulo é um referencial para um monte de coisas!
São Paulo foi e é generosa comigo.
Aqui encontrei amigos que me abraçaram e me acolheram, não por que são amigos da família, ou do colégio ou de infância, nos abraçamos e nos acolhemos porque somos amigos de alma e de ideais.
Em São Paulo evoluí profissionalmente e, como uma mãe que quer sempre o melhor do filho, São Paulo me proporcionou situações que me "forçaram" ao crescimento.
Fico um pouco sem entender quando alguns paulistanos dizem: Em São Paulo não se tem qualidade de vida! Pois afirmo com toda pompa e circunstância aqui tenho mais qualidade de vida, acesso a cultura, ao belo, a natureza e ao bem-estar físico, emocional, e espiritual do que tinha quando morava numa das cidades mais lindas e praieiras do Nordeste.
Não estou dizendo que é fácil ou que São Paulo me dá tudo isso (e um pouco mais) de 'mão beijada', não não... não seria São Paulo se fosse assim. Ela tem de tudo um pouco e cabe a mim sintonizar o meu desejo, as minhas preferências e crenças à São Paulo que mais se encaixe aos predicados que procuro e quero.
Hoje mesmo me perguntaram: mas você não tem vontade de ir embora daqui? Falando em querer e se eu pudesse escolher, só existe um lugar do mundo (e é bem longe daqui) que me faria sair de São Paulo, então a resposta, por enquanto, é não.

Aqui tenho tudo, sinto que pertenço a este lugar, sou agradecida pelo que venho me tornando nesses últimos 10 anos, pelas conquistas que tive e terei aqui.
São Paulo, em alguns dias nós comemoraremos nosso 10º aniversário, aqui está, em forma de poema o meu mais profundo agradecimento.


Quando menos esperei
Você arrebatou meu coração
Mesmo fria e chuvosa
Me tirou da solidão

Sai o frio, vem o Sol
E tu me carrega em seus braços
Enxuga as minhas lágrimas
Me faz reconhecer meus propósitos e caminhar sempre avante!

Quão generosa e bela és
Ó São Paulo querida
Que me abriga e me acalenta
E que me cura as feridas.
(Hellene, Junho 2014)

terça-feira, 3 de junho de 2014

O Grito - Inspirado no post da Rachel M. Stafford (Brasil Post)

Acompanho um Blog muito bacana chamado Ninguém Cresce Sozinho, é um Blog de 2 psicólogas (uma delas, a Verônica, uma pessoa muito querida pra mim) que tratam de questões do cotidiano sobre o papel dos pais e das crianças na família. Eu acho o nome do Blog fantástico pois, acredito que eu só me torno uma melhor mãe, esposa, filha, mulher e profissional quando me auto-educo, quando olho para mim e para minhas atitudes.

Bem, zapeando pela página delas no Facebook acabei me interessando por ler um artigo que elas compartilharam chamado "Uma importante lição sobre gritar com os filhos" escrito pela Rachel M. Stafford para o Brasil Post. Foi um soco no estômago.

Me vi em algumas cenas descritas pela Rachel e também me identifiquei quando ela disse que se "odiava naqueles momentos".

As vezes me sinto tão pressionada,  não pelos outros mas, por mim mesma, pelas imposições que me faço, pelas expectativas que crio sobre os outros e sobre as situações, pelos momentos que quero que sejam 'só meus' mas tem sempre alguém chamando: Mãe!!!!!, pelas coisas que tenho que arrumar, consertar, doar, fazer, não fazer ... além das TPMs, é claro! As vezes me sinto tão cheia que, acabo gritanto mesmo e, é sempre com as pessoas mais queridas principalmente com as meninas e são e sempre serão muito tristes esses momentos.

Lendo o texto da Rachel lembrei de um momento de generosidade e amor genuínos presenteado à mim pela minha filha mais velha.

Estava atravessando um momento muito difícil, a minha caçula acabava de nascer, se me recordo bem, tínhamos chegado da maternidade a apenas uma semana e eu me sentia péssima. Achava que não iria dar conta de educar e cuidar de duas crianças, me sentia mal comigo mesma e muito triste - tomei muito hormônio durante a minha última gestação pois a "apressadinha" queria nascer antes da hora  - era noite e estávamos na casa da minha sogra, derrepente me bateu uma tristeza profunda e chorava sem parar, estava deitada numa cama, quarto escuro, quando chega a Gabi e pergunta:
- Mamãe, o que você tem?
- Não é nada Gabi, a mamãe só está um pouco triste.
Ela sai do quarto e volta segundos depois com o cheirinho dela (uma fraldinha que ela usava para dormir), me cobre com o cheirinho, faz carinho no meu rosto e diz:
- Não fica assim não Mamãe, isso já vai passar.
A Gabi tinha 2 anos e 2 meses.

Ler esse artigo, me lembrar dessa passagem, contraiu e expandiu meu coração. Contraiu porque me fez lembrar que ainda grito com elas as vezes e que não quero, nunca, ver medo no olhar delas à mim e expandiu meu coração por que ele sempre fica assim quando vejo como as crianças são simples, profundas e autênticas quando expressam os seus sentimentos.

Logo quando terminei de ler o artigo, me veio na cabeça o quadro do Edvard Munch, chamado O Grito. Me vi um pouco nele...naqueles momentos quando grito minha boca se abre mas, de uma certa forma, meus ouvidos se fecham por que eu não quero me ouvir e conviver com toda aquela pressão que está dentro de mim. Quero, simplesmente, colocar algo para fora. Talvez se fixar na minha mente a imagem deste quadro me faça refletir e me ouvir, antes de gritar.

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Fala que eu te escuto

Alguns dias atrás acordei com um humor daqueles, tem um 'lance' que eu preciso resolver mas, ainda não consegui achar a solução do problema e, isso consumiu o meu bom-humor neste dia.

As horas da manhã passaram a passos de tartaruga, chegou a hora do almoço (finalmente!!). Sai para almoçar com uma amiga. Já tinha entrado em um acordo com o meu humor que não emitiria muitas opiniões neste dia por que, certamente, elas seriam ácidas demais.

Até que esse meu posicionamento foi propício, minha amiga precisava falar, eu estava disposta a escutar, com comentários pontuais e espassos (meio metereológico isso! rs), tudo lindo. Ela me fez bem e eu fiz bem a ela.

O humor foi melhorando e resolvi compartilhar com ela o que estava me tirando o humor, até por que estava no contexto do que estávamos conversando. Ela fez um comentário e, rapidamente voltamos ao assunto anterior. Fiquei com aquela sensação de: Caramba, será que ela me ouviu mesmo? Será que ela me escutou? Eu sei, eu sei ... rola aquele negócio egoísta, de achar que os nossos 'problemas' são os maiores do mundo mas, aquilo que eu compartilhei é uma coisa que me causa angústia e, tinha a expectativa que gerasse mais do que apenas um comentário. Talvez um consolo, um 'vai passar', um 'poxa te entendo'.

A experiência dessa conversa reacendeu em mim uma percepção que vira e mexe aparece. Será que eu ouço mesmo aquilo que as pessoas me falam? Será que eu as escuto com todo o meu ser, tentando entender o que aquela fala traz? Será que eu me desarmo de mim para ouvir o outro? Ou será que enquanto eu ouço o outro estou ouvindo também todas as vozes dentro da minha cabeça? Vozes essas que julgam, que já 'sabem' todas as respostas, que acham aquela fala pequena, simples, complexa, exagerada, que pensam em outro assunto enquanto o outro fala, blábláblá?

E, enquanto estava fazendo essa reflexão, uma das minhas vozes, disse: já pensou nisso tudo versus a sua postura quando você está "ouvindo" as suas filhas?! Bingo! Caraca!! Como as vezes presto mais atenção nas minhas vozes, quando estou falando com as minhas filhas, do que no que elas estão me falando! É bem coisa de 'adulto' isso não? #sóquenão
E não é que a situação me levou a uma reflexão e a reflexão me levou a uma pista de como começar a resolver meu problema?

Quanto mais penso sobre isso e sobre os diversos reflexos de atitudes como essas tem nas mais diversas áreas da vida, mais tenho certeza que a união, o engajamento, o se propor a estar plenamente presente é um exercício que devo fazer diariamente.

Na busca de uma boa imagem para ilustrar essa minha reflexão, encontrei uma escultura belissíma da Joana D'Arc chamada "Joana D'Arc ouvindo suas vozes". É uma escultura do François Rude, esculpida no séc. 19. Conta-se na história que Joana D'Arc ouvia vozes do mundo espiritual, por isso existem tantas pinturas e textos que abordam essa habilidade de Joana.

O que me chamou a atenção na escultura é que a Joana esta sem a sua armadura, numa posição relaxada, apenas ouvindo. Ela não é a guerreira, nem a líder, ela esta despida dos seus outros papéis, alí ela é somente ela, esta presente. A armadura foi muito simbólica pra mim. Foi quase um grito: Sem armaduras, sem julgamentos, sem achar que sabe tudo Hellene!!!! Só ouça!

sexta-feira, 16 de maio de 2014

A Grande Onda

Muitas pessoas, seres iluminados, santos, comuns e incomuns comparam a nossa vida ao mar .... as marés vem e vão, enchem, secam, tem águas plácidas, calmas e águas bravas e mortais, não é assim também a vida e as suas fases?

Ontem recebi uma mensagem: "quem fez o seu blog?" Por uma fração de segundos pensei ... Blog? Que blog? E só então me dei conta que o meu blog tinha se tornado como uma onda bonita de verão que a gente vê na praia, ela fica na sua memória por muitos verões mas, de repente, você a esquece, até que alguém, gentilmente, te lembra dela outra vez.

São quase 4 anos - O QUE??? - sem postar nadica de nada! Mas, quanta vida aconteceu nesses 4 anos ... tive mais uma filha, que daqui a alguns dias fará 2 anos, mudei de casa, mudei de carreira, começei muitas coisas, parei muitas coisas, mudei, mudei, mudei, mudei ...

Foram 4 anos de mudanças intensas, boas, não tão boas, fáceis, difíceis, belas, feias,andei pra frente, andei pra trás, fiquei parada, tive muitas certezas, das muitas certezas que tive poucas estavam certas, tive muitas dúvidas, tive dúvidas das dúvidas, vivi "como uma onda no mar".

Quando tive a intenção de escrever este post pensei num título, que depois não gostei e, logo depois, me veio a imagem do famoso quadro do mestre japonês Hokusai, A Grande Onda de Kanagawa.
Hoje, quando penso nos últimos 3 (tá bom, quase 4) anos, se pudesse transformá-lo em uma imagem, seria "A Grande Onda de Kanagawa" forte, desconhecida, dramaticamente bela e amedrontadora mas (ah como eu adoro essa conjunção!!), incrivelmente transponível e reverenciável.

Depois de uma grande onda que me levou a vivências afastada daqui, uma outra nova grande onda me trouxe de volta.
 

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Compaixão


Muito tempo sem escrever no blog, muitas coisas acontecendo, muitos pensamentos, voltei a trabalhar, ano acabando, aniversário chegando...muita coisa pela frente!

As últimas semanas foram exaustivas, física e emocionalmente. Com os acontecimentos, fiquei pensando um pouco em jogar muitas coisas/pessoas pro alto, "chutar o pau da barraca"...sabe quando você está cansada e quer parar com tudo? Pois é...

Estava limpando alguns papéis em casa e, encontrei um que fala sobre o Buda Avalokiteshvara, o Buda da Compaixão e, ali estava a minha lição. Avalokiteshvara "usando a sua imensa compaixão, fez a promessa de que não teria descanso e não entraria na plenitude da iluminação até que os outros seres também atingissem este estado". Lindo, né?

Diz-se que Avalokiteshvara trabalhou muito e iluminou muitos seres mas, por um segundo apenas, entrou em desespero e duvidou se poderia mesmo ajudar a todos e cumprir a sua promessa. Então, se despedaçou em mil pedaços. Mas, com a ajuda dos outros Budas e do seu pai espiritual (Amitabha) ele conseguiu se reerguer, manter-se firme no seu propósito, ganhou mil braços e a cabeça de Amithaba no topo das suas 10 cabeças.

Sei que cada pessoa interioriza as coisa que lê, ouve e vê da sua própria maneira. Ler isso foi um bálsamo para mim, sabe quando a coisa que você precisava cai no seu colo?! Foi exatamente isso.

Refleti que jogar as coisas para o alto não é a melhor opção e que, manter-me firme no meu propósito, no meu caminho e na minha Verdade deve ser maior do que os meus espasmos de dúvidas ou provocações alheias e que eu vou sim me quebrar em mil pedaços algumas vezes e que, o Deus que está em meu interior, me reerguerá, me ajudará e me guiará sempre!

E isso é ter compaixão por mim e pelo próximo. D+!

Para coroar esse momento lindo que vivi, aprendi mais sobre o mantra Om Mani Padme Hum (o mantra da compaixão), um dos mantras mais pacificadores que já ouvi...já conhecia mas, como não tinha interiorizado o seu significado, não tinha captado a sua essência.

Como é bom quando reconheço os sinais de ajuda e compaixão que recebo! Cada vez mais entendo que as respostas começam dentro...

Om Mani Padme Hum! Jay Guru!

domingo, 26 de setembro de 2010

Cinematerna


Esse sábado resolvi ir com a Bibi ao cinema. Em São Paulo, assim como em outras cidades do Brasil, existe um projeto chamado Cinematerna.

O objetivo é levar mamães e bebês (até 18 meses) ao cinema. Alguns cinemas fazem parte do projeto e, exibem sessões a cada 15 dias, em geral pela manhã ou no início da tarde.

Como seria a minha primeira vez, chamei reforço! :D Os queridos amigos Ana e Bruno se juntaram à mim e à Bibi. O filme: Nosso Lar.

Fiquei meio apreensiva, principalmente por que convidei dois amigos que ainda não tem filhos. Pensei: gente esses BBs não vão parar de chorar e eles não vão conseguir assistir o filme. Pois pasmem, não é que eles ficam quietinhos? Pelo menos na nossa sessão não tivemos chorões de plantão.

O Cinematerna fez uma super infraestrutura para atender os BBs, dá para trocar, amamentar, tudo de bom!

A Bibi se comportou como uma princesa, ficava interagindo com os outros BBs, mamou e dormiu! Só acordou pouco antes do filme acabar.

Nós 4 adoramos e, sábado que vem com certeza eu e a Bi estaremos no cinema de novo.

Iniciativa nota 10 desse pessoal do Cinematerna, quer conferir mais, acessem o site: www.cinematerna.org.br

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Comming back: ai que frio na barriga

Já se passaram 5 meses e meio que a minha pequena nasceu e agora, falta pouco mais de 1 mês para voltar ao trabalho e exercer mais uma dos meus inúmeros papéis - este tinha ficado adormecido, pela licença maternidade.
Ando sentindo um misto de vários sentimentos, diferente de alguns depoimentos de amigas, não senti tédio por ficar em casa cuidando da minha filha. Sinto uma alegria imensa em passar cada segundo com ela (principalmente quando lembro que já vou voltar a trabalhar), é muito especial poder participar do desenvolvimento de um ser humano, ver as dificuldades, as evoluções, os sorrisos, os choros...é tanta coisa nova que tédio, nunca me despertou.
Encaro este momento como único e exclusivo da Bibi.
Mas, dentro de mim anda martelando um pensamento: ai...como vai ser difícil para mim a hora de deixar ela no berçário...Já liguei até para terapeuta e agendei horário pois, vou precisar de ajuda extra para encarar.
Adoro trabalhar, amo o que eu faço e a empresa que eu trabalho mas, amo MUITO MUITO MUITO esse momento que estou vivendo. Tá, eu sei que não é o fim do mundo e que a Bi vai ficar muito bem no berçário que escolhemos mas, sabe como mãe é né?
Não cheguei a conclusão alguma sobre os meus sentimentos ou, como irei trabalhar alguns deles para fazer com que essa segunda etapa não tenha um início doloroso, a única conclusão que eu cheguei é que o tempo passa muito rápido e que eu não devo ficar presa no passado ou pensando no futuro.
Resolvi - após ter que interromper a escrita deste post porque a pequena acordou e tive que niná-la novamente - que vou curtir cada segundo deste mês, meditando e mentalizando só coisas boas para esta nova etapa que estar por vir!

terça-feira, 27 de julho de 2010

...

Cabeça cheia, pensamento vagueia
dentro do coração muitas emoções me consomem
olho para os lados, para dentro, para frente
procuro entender os acontecimentos mas o coração pede calma

Calma...paz...onde encontrá-las no turbilhão que me cerca?
quem sabe pondo para fora;
quem sabe num sono profundo.

Por enquanto ainda vagueio
tentando me entender
tentando acalmar meu coração.

Minha primeira poesia. São Paulo, 27/07/2010.

terça-feira, 20 de julho de 2010

Renovação!

Todo mundo precisa se renovar, se reinventar de vez em quando...com isso em mente, resolvi dar um upgrade no Blog!
Daqui a menos de 1 mês o blog fará 2 anos então, resolvi dar um "tapa no visual".
Agora estamos com um visual mais clean, sereno, amoroso e romântico, o que retrata bem o momento da blogeira aqui.
Com a função mamãe tomando conta do pedaço fica um pouco + difícil postar com tanta frequência mas, vou tentar até o dia 18/8 (quando o blog fará 2 anos) contar um pouco da experiência e descobertas que escrever esse blog me proporciona.
That's it folks!

terça-feira, 15 de junho de 2010

Pérolas antes do café-da-manhã!

Esses dias recebi da querida Alê um texto do Washington Post, de título "Pearls before breakfast", que conta um experimento feito pelo jornal americano com um renomado violinista tocando (sem ser identificado) num metrô da capital americana.

E, as perguntas que o jornal pretendia responder com o experimento era: Num lugar comum, numa hora imprópria, você percebe a beleza? Você para para apreciá-la? Você reconhece talento num contexto inesperado?

O experimento foi realizado em 2007 e o violinista que tocava era Joshua Bell, que no mesmo ano ganhou o prêmio Avery Fisher, como o melhor violinista dos EUA.

É impressionante a conclusão que eles tiveram...e também me levou a uma grande reflexão: em todos os momentos do meu dia, consigo perceber a beleza inserida nele e apreciá-la?

Abaixo tem uma síntese do experimento (em inglês) e o completo, com o vídeo, você consegue ver no: site do Washington Post.
*******
Washington , DC Metro Station on a cold January morning in 2007. The man with a violin played six Bach pieces for about 45 minutes. During that time approx. 2 thousand people went through the station, most of them on their way to work. After 3 minutes a middle aged man noticed there was a musician playing. He slowed his pace and stopped for a few seconds and then hurried to meet his schedule.

4 minutes later:

The violinist received his first dollar: a woman threw the money in the hat and, without stopping, continued to walk.

6 minutes:

A young man leaned against the wall to listen to him, then looked at his watch and started to walk again.

10 minutes:

A 3-year old boy stopped but his mother tugged him along hurriedly. The kid stopped to look at the violinist again, but the mother pushed hard and the child continued to walk, turning his head all the time.. This action was repeated by several other children. Every parent, without exception, forced their children to move on quickly.

45 minutes:

The musician played continuously. Only 6 people stopped and listened for a short while. About 20 gave money but continued to walk at their normal pace. The man collected a total of $32.

1 hour:

He finished playing and silence took over. No one noticed. No one applauded, nor was there any recognition. .

No one knew this, but the violinist was Joshua Bell, one of the greatest musicians in the world. He played one of the most intricate pieces ever written, with a violin worth $3.5 million dollars. Two days before Joshua Bell sold out a theater in Boston where the seats averaged $100.

This is a true story. Joshua Bell playing incognito in the metro station was organized by the Washington Post as part of a social experiment aboutperception, taste and people's priorities.

The questions raised:

*In a common place environment at an inappropriate hour, do we perceive beauty?

*Do we stop to appreciate it?

*Do we recognize talent in an unexpected context?

One possible conclusion reached from this experiment could be this:

If we do not have a moment to stop and listen to one of the best musicians in the world, playing some of the finest music ever written, with one of the most beautiful instruments ever made.

How many other things are we missing?

How many special persons pass us by and we do not MAKE ANY EFFORT TO get to know them?
*****